fevereiro 29, 2008

João Lourenço e Zé Viola

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1. Eu não devo dez porcento
Do que estou pagando agora

2. Quase nada sofri até agora
O meu medo é sofrer daqui pra frente

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Até hoje criei minha família
Só ouvindo promessas demagógicas
Tenho fé que palavras pedagógicas
Surgirão das escolas de Brasília
Como eu sempre estive na vigília
Lá em casa não falta nutriente
Sabonete, perfume, detergente
E tem domingo que ainda almoço fora
Quase nada sofri até agora
O meu medo é sofrer daqui pra frente
(João Lourenço)

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O idoso sofrendo desprezado
O sem-terra sem terra pra plantar
O mendigo sem ter onde ficar
O roceiro sem planta no roçado
O martírio do velho aposentado
Nas manobras de quem vê e não sente
Pois eu sou de origem dessa gente
Que desmaia, se humilha, pede e chora
Quase nada sofri até agora
O meu medo é sofrer daqui pra frente
(Zé Viola)

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Senha de descompactação: cantoriasecordeis

fevereiro 26, 2008

Oitavão rebatido com Zé Viola

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1. Zé Viola e Geraldo Amâncio
2. Zé Viola e Moacir Laurentino

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Senha de descompactação: cantoriasecordeis

fevereiro 25, 2008

A favela...

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1. A favela é o retrato
De um povo discriminado
(Valdir Teles e João Paraibano)

Lugar de um povo sem nome
Que o rico chama de plebe
Tem sal na água que bebe
Miséria no pão que come
Escravo da dor da fome
Num país mal governado
Além de pobre obrigado
Votar num político ingrato
A favela é o retrato
De um povo discriminado
(Valdir Teles)

Lugar de um povo cativo
De mão magra e pé descalso
Ferói que um governo falso
Abandonou sem motivo
Vai dormir sem terra vivo
Num barraco soterrado
Antes de ser encontrado
O jornal comenta o fato
A favela é o retrato
De um povo discriminado
(João Paraibano)

2. Na criança faminta da favela
Vejo a face de Cristo retratada
(Rogério Menezes e Hipólito Moura)

A criança que triste continua
Que não sabe da mãe que foi gestante
Sem apoio do nosso governante
Na miséria da pátria ainda flutua
Se hoje está a perambular pela rua
Amanhã com certeza está armada
Pra assaltar na mansão ou na calçada
Os bandidos que roubam os sonhos dela
Na criança faminta da favela
Vejo a face de Cristo retratada
(Rogério Menezes)

A criança precisa é de um ranchinho
Não precisa morar numa favela
Se você tem dinheiro ajude ela
Lhe fazendo uma dose de carinho
O menor não consegue estar sozinho
E a criança precisa ser zelada
Você pode ser vítima à madrugada
Com um menor com a faca em sua goela
Na criança faminta da favela
Vejo a face de Cristo retratada
(Hipólito Moura)

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Senha de descompactação: cantoriasecordeis

Vai aqui um destaque para a excelente performance do poeta Rogério Menezes.

fevereiro 24, 2008

Geraldo Amâncio e Sebastião Dias

Dedico este post a amiga Janaina, uma jovem apreciadora da nossa poesia matuta.

1. Sextilhas: Ser poeta

2. É muito triste gostar
de quem não gosta da gente

3. Tem muito o que se contar
De uma casa abandonada

Solidão apavorante
No centro da noite pasma
Gargalhada de fantasma
Que arrepia o visitante
Gira uma sombra ambulante
Consigo mesma assombrada
Grito de alma penada
Pedindo pra se salvar
Tem muito o que se contar
De uma casa abandonada
(Sebastião Dias)

Quem vai ali perde a calma
O sobrosso* lhe acompanha
Escuta uma voz estranha
Ouve gente bater palma
Tem impressão que uma alma
Nessa casa é hospedada
Gritando de madrugada
Mandando a dona voltar
Tem muito o que se contar
De uma casa abandonada
(Geraldo Amâncio)

* medo ou pavor

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Senha de descompactação: cantoriasecordeis

Aconteceu...

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João Furiba, passando uma vez por Monteiro-PB, foi visitar o amigo Pinto, que a esta altura já não andava nem enxergava mais.
Na casa de porta e janela onde morava, Pinto estava sozinho e como a porta estava fechada, Furiba pulou a janela e o encontrou de olhos cerrados, deitado numa cama estreita, como se estivesse dormindo.

Furiba saudou assim o velho companheiro:
"Há tempo que eu não vinha
Nesta santa moradia
Visitar o velho Pinto
Me traz tanta alegria
Que é mesmo que ter tirado
O bolão da loteria."

Pinto respondeu na bucha:
"Eu não imaginaria
Que você chegasse agora
Com essa sua presença
Obtive uma melhora
Quer ver eu ficar bom mesmo?
É quando você for embora."

Trecho retirado do livro "Pinto Velho do Monteiro um cantador sem parelha" , de Joselito Nunes, pela Liber Gráfica, 2006.
E-mail do autor: beradeiro@ig.com.br

fevereiro 21, 2008

João Paraibano e Valdir Teles

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Duas faixas em mp3 do CD O Sertão em Cantoria, de João Paraibano e Valdir Teles.

1. Oh Lua tem dó de mim
2. Coco em desafio

O crime se organizou
Os bandidos aumentaram
As armas multiplicaram
A justiça recuou
Vejo isso achando ruim
Oh Lua tem dó de mim
Clareie minha solidão
Tenha pena dessa gente
Que nasce, morre e não sente
O bater de um coração
(Valdir Teles)

Quem possui imunidade
Não vai preso por ladrão
Se um pobre roubar um pão
Nunca mais tem liberdade
Por isso fazem motim
Oh Lua tem dó de mim
Clareie minha solidão
Tenha pena dessa gente
Que nasce, morre e não sente
O bater de um coração
(João Paraibano)

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Senha de descompactação: cantoriasecordeis

Contato com os poetas:
(87) 3828-1144
(87) 9938-1144
(87) 8822-0043
(87) 3838-3726

fevereiro 19, 2008

Zé Cardoso e Jorge Macedo

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1. Eu sou melhor do que tu

2. Incoveniências (dez a quadrão)

Já tem gente me chamando
Bicha louca, mariquinha
Dizem que eu rodo a bolsinha
Mas não estou nem ligando
Só ando me rebolando
Adoro ver homem nu
Sou do tipo bubaloo
Pinto as unhas, falo fino
Breve vou ter um menino
Mas sou melhor do que tu
(Jorge Macedo)

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Senha de descompactação: cantoriasecordeis